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Em fevereiro de 2010, no início do ano letivo, começou a funcionar em São Paulo uma nova escola, gratuita e bemequipada, direcionada a alunos do 6o ao 9o ano do ensino fundamental e médio. A Escola Germinare é um projeto de responsabilidade social do Instituto JBS, fundado pelo grupo JBS-Friboi, que atua no mercado nacional e internacional de processamento de proteína animal.
Localizada em uma região pouco assistida da zona oeste da capital paulista, no bairro Vila dos Remédios, próximo a uma saída para a rodovia Anhanguera, a escola tem aproximadamente 5 mil m2 de área construída, e foi implantada sobre um grande terreno, um “vazio urbano” onde antigamente havia armazéns de uma fábrica. A execução da obra durou cerca de seis meses, e envolveu investimentos da ordem de R$ 7 milhões.
Quem assina o projeto arquitetônico é o arquiteto Paulo Sophia, nome referencial da arquitetura escolar no Brasil, autor de dezenas de projetos de instituições de ensino, públicas e particulares, de pré-escolas a universidades, como os cursos Objetivo/Unip e a Escola Móbile, esta premiada na 3a Bienal Internacional de Arquitetura de 1997.
EMPREENDEDORES DO FUTURO
Dotada de recursos tecnológicos e equipe pedagógica para oferecer ensino de qualidade e de orientação humanista, a Escola Germinare tem como meta atender a jovens com potencial empreendedor, independentemente de classe social. Além do ensino gratuito, é fornecido material pedagógico, uniforme, refeições e condução escolar. “O projeto é a materialização do sonho do presidente do Grupo JBS, Joesley Mendonça Batista, ele próprio alguém que venceu profissionalmente graças ao apoio recebido na juventude” , conta Sophia.
O arquiteto participou desde o início do processo de criação da escola, inclusive em discussões de caráter pedagógico. E, ao lado dos diretores do Instituto JBS, ajudou a definir qual o programa mínimo da obra, em questões como o custo do metro quadrado e o sistema construtivo a ser adotado.
ALVENARIA ESTRUTURAL
A opção quanto ao método construtivo foi pelos blocos de concreto estruturais. “Quem escolheu foi o próprio cliente, que manifestou desejo de uma obra econômica e rápida. Praticamente ‘espartana’ , sem desperdício nem ostentação” , declara Sophia. Mas completa: “Sim, um prédio austero e simples, porém, que também criasse surpresas, criando espaços internos que fossem locais de celebração da alegria da convivência entre crianças, professores e pessoal da escola” , ressalta.
Na parte estrutural, a obra combinou a alvenaria de blocos de concreto com componentes de concreto armado, lajes tipo painel e, no ginásio de esportes, cobertura metálica. Nas áreas externas, a pavimentação adotou blocos intertravados nas cores vermelho e amarelo. Além dos pavers, um antigo piso de paralelepípedos, sobras de um pátio de manobras desativado, foi reutilizado em algumas vias internas, de modo a compor paisagisticamente com os blocos de concreto. Volumetricamente, a escola é formada por edifícios gêmeos, dois retângulos dispostos em formato de “L” , perfeitamente iguais se vistos de fora. Externamente, o edif ício é pintado de branco, contrastando com o laranja dos brises nas janelas, e o verde que reveste a extensa marquise da entrada. Um dos prédios abriga especificamente a parte de ensino e aprendizagem. O outro volume é destinado à prática esportiva, e compreende ginásio poliesportivo e piscina semiolímpica.
Em ambas as edificações, nos vértices dos edif ícios, há quatro “torreões” bem demarcados, ou núcleos destinados aos ambientes maiores da escola, como biblioteca, laboratório, sala de informática e dos professores. Esses espaços seguem a modulação dos blocos estruturais, e são áreas de 8 x 8 metros, mas com flexibilidade de uso graças a paredes divisórias em drywall.
O prédio escolar compreende três pavimentos, delimitados por generosas varandas de acesso às salas de aula. Esta área se abre para um grande vazio central, de onde se tem toda a vista do pátio interno com jardim, no térreo. “Busquei valorizar essas varandas, pois entendo que são o lugar que melhor marca o ritmo peculiar de uma escola. É nesse ambiente, integrado ao jardim, que os alunos mais se cruzam, entrando e saindo das aulas. São pontos de encontro, de recreio, lugares para vivenciar a alegria da convivência” , descreve Paulo Sophia.
Também para ‘criar surpresa’ , e maior visibilidade, as salas de aula foram desenhadas amplas (36 m2 de área), com portas de correr de quase 4,5 m de largura, para permitir que se comuniquem inteiramente com os espaços comuns.
No alto do grande vão central de 6 metros, uma clarabóia garante o conforto ambiental, servindo de ponto de exaustão. A clarabóia também é um elemento de sustentabilidade do projeto, pois faz com que a iluminação natural penetre por todo o ambiente.
Paulo Sophia acredita que os blocos estruturais sejam uma solução capaz de responder, com economia e eficácia, à condição de contemporaneidade almejada pela arquitetura escolar, em especial às demandas de obras de escolas da rede pública. Pensando nisso, o arquiteto até já enviou sua proposta à Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), do governo paulista, na convicção de que não somente os sistemas industriais com pré-fabricados são solução para este mercado, mas também o uso dos blocos de concreto deve ser recuperado. “Há muitas situações, como em localidades mais afastadas, onde os blocos são uma alternativa mais interessante. E, como já tentei mostrar no projeto da Germinare, possibilitam que a surpresa do usuário esteja garantida", conclui.
FICHA TÉCNICA
Escola Germinare
Cliente: Instituto JBS-Friboi
Localização: São Paulo
Arquitetura: Paulo Sophia Arquiteto
Construção: Toda do Brasil
Projeto estrutural: Program Engenharia
Projeto de instalações: Sandretec e Apoio Projeto e Desenvolvimento
Fornecedores: Intercity (pisos intertravados); Rigofer (esquadrias); Deca e Docol (equipamentos hidrossanitários); Confer Lucélia (cobertura metálica); TurnKey (instalação hidráulica e elétrica); Itaici Garden Center (execução do paisagismo)
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