PARA
OLHAR O RIO
Depois da rua 15 de Novembro, Blumenau
adota pavers para recuperar avenida às
margens do Itajaí-Açu
A cidade catarinense de Blumenau, no Vale do Itajaí, costuma
atrair turistas graças ao casario
de fachadas típicas e às
tradições alemãs ali
preservadas. De uns três anos para
cá, porém, vem sendo procurada
também por outro tipo de visitante:
são urbanistas, arquitetos, empresários
e administradores públicos, interessados
em conhecer o projeto de reurbanização – com
blocos intertravados de concreto – da
sua área central, realizada primeiramente
na rua 15 de Novembro, em 2001, com pleno
sucesso. Agora, uma nova etapa de obras
começa a recuperar também
a avenida Beira-Rio, às margens
do rio Itajaí-Açu, que atravessa
a cidade.
Obra emblemática, a “rua 15” estimulou
inúmeros outros projetos com intertravados,
não apenas na própria cidade,
mas em todo o país. Em Blumenau,
a boa aceitação abriu caminho
para parcerias entre a Prefeitura e a iniciativa
privada, com os comerciantes e proprietários
assumindo parte dos custos das obras, o
que possibilitou a continuidade do chamado “Plano
de Revitalização Urbanística
da Área Central de Blumenau”.
Assim, já foram pavimentadas com
blocos de concreto a rua Floriano Peixoto
(uma transversal da rua 15), duas praças
(Carlos Gomes e Dr. Blumenau) e a área
em torno do edifício da antiga Prefeitura.
Projeto
Beira-Rio
Agora, o projeto de reurbanização
chega à avenida Beira-Rio (ou av.
Presidente Castelo Branco), numa extensão
de 1,6 km junto às margens do rio
Itajaí-Açu. “Se a 15
de Novembro é considerada a artéria
comercial do centro, a Beira-Rio, aberta
em 1969, é o eixo ordenador de todo
o trânsito da cidade”, explica
o arquiteto Jonas Eduardo Franz, superintendente
do IPPUB - Instituto de Pesquisas e Planejamento
Urbano de Blumenau, órgão
da administração municipal
que vem gerenciando estes projetos.
Circulam pela avenida aproximadamente 25
mil veículos/dia; ela é também
um importante corredor de ônibus
de Blumenau e local de intenso movimento
de pedestres. Mais do que estratégica,
esta via marca a identidade de um lugar,
como se observa por este trecho da apresentação
do projeto: “Graças à avenida
Beira-Rio, o cidadão e o visitante
podem sentir a presença do rio Itajaí-Açu
mais próxima, podem vislumbrar a ‘Prainha’,
a curva do rio, a ponte da antiga estrada
de ferro (ponte Aldo de Andrade) e a linha
de construções modernas e
típicas, que dão identidade
exclusiva a Blumenau”.
Apesar desse potencial paisagístico, que poderia ajudar o turismo da região,
a avenida Beira-Rio há anos vinha se deteriorando e era até rejeitada
como local de lazer pela população, lembra o arquiteto. Para reverter
essa situação, abrindo espaços para a contemplação
do rio, foi concebido o “Projeto de Revitalização do Circuito
Ciliar”. Ele prevê diversas melhorias junto ao talude do rio, tais
como: piso de blocos intertravados nos passeios e na ciclovia, novo mobiliário
urbano, calçadas mais amplas, jardins e árvores, abrigos de ônibus
estilizados, mirantes e quiosques de serviços, e infra-estrutura subterrânea
para redes de água e esgoto, entre outras melhorias.
Na paginação dos blocos foram escolhidas formas geométricas
e as cores vermelho, cinza claro e cinza escuro, que funcionam também
para a sinalização de segurança. A delimitação
entre a pista da ciclovia e o passeio, por exemplo, é dada pela cor dos
blocos – vermelha na ciclovia e cinza nas calçadas.
Metade da via (do centro à Ponta Aguda) estará recuperada até junho
próximo, e a previsão é de conclusão até o
final de 2004. O custo total aproximado deste projeto é de R$ 4 milhões.
Segundo o arquiteto Jonas Franz, “a proposta busca recuperar a infra-estrutura
de acesso ao transporte público, ao mesmo tempo em que procura manter
o pedestre em contato com a rica paisagem do rio, criando espaços de contemplação
ao longo da avenida”. Ele completa: “E a escolha dos intertravados
para revestir passeios e ciclovia se deu em função da fácil
remoção e manutenção, por não absorver calor
e pela diversidade de cores desse material”.
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O
exemplo da rua 15 |
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Principal
artéria comercial
da cidade, a rua 15 de
Novembro abriga diversas
edificações
históricas. A idéia
de recuperá-la partiu
dos próprios lojistas,
preocupados com a queda
no movimento comercial
da rua. Um concurso
nacional promovido pela Prefeitura
selecionou o projeto dos
arquitetos curitibanos Roberto
Sabatella e Armando Ito,
que indicou a pavimentação
com blocos intertravados
de concreto como a melhor
solução. A
escolha foi ratificada pelo
IPPUB - Instituto de Pesquisas
e Planejamento Urbano de
Blumenau, órgão
que gerenciou a obra. O desenho
do piso se destaca pela originalidade:
as fachadas dos edifícios
foram rebatidas no chão
de blocos coloridos, “eternizando” o
patrimônio histórico
e arquitetônico da
cidade.
Do ponto de vista econômico,
o pavimento intertravado
também trouxe vantagens:
como o processo de pavimentação é uma
montagem de blocos, a rua
pôde ser dividida em
oito trechos, e a obra executada
por etapas. O custo, parcelado,
viabilizou a obra, e contribuiu
para não interromper
o trânsito de pedestres
e de carros. O diretor-presidente
do IPPUB, Alexandre Gevaerd,
resume suas impressões
sobre a obra: “É algo
moderno, mas que sabiamente
preservou as características
estéticas locais.
Revigorou o comércio,
o turismo e o desenvolvimento
econômico da cidade
como um todo”.
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